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Fraguial - Guilherme d'Almeida

Artista - iscritto il 14 mar 2007

Luogo: Rua Luis Caldas-15-2º - Caldas da Rainha - PT

Email - fraguial@gmail.com

Sito web - www.fraguial.webnode.com

Bio

“O homem de saber está situado no centro de si próprio”

Desde que Fraguial se descobriu como homem de artes, o estilo cubista teve uma forte influência que o iria acompanhar durante quase todo o seu percurso. A sua personalidade de homem livre de conceitos pré estabelecidos, nunca o deixou prisioneiro a ideias feitas e facilmente usadas por muitos criadores que fazem sua a trajectória de outros. Para Fraguial, as ideias feitas, só trazem a estagnação e paragem no tempo.

Fraguial recorre a uma virtude - a riqueza da simplicidade, que lhe permite uma visão, de forma infinita e incessantemente nova para um mundo que aos seus olhos será também sempre novo.

Tal como o seu currículo atesta, possui no âmbito das artes plásticas, formação académica e experiência de atelier, com particular relevância a obtida em Espanha com o prestigiado pintor espanhol Juan Ramon. Mas, a grande valência deste artista, está na sua força interior que sempre lhe permitiu e continuará a permitir, agora mais do que nunca, aceder ao seu baú de memórias localizado no mais recôndito do seu ser e transpor para a tela, fragmentos de um universo que se descobre novo para o artista.

Foi assim que Fraguial encontrou o seu caminho, auto afirmando o seu ser próprio, apreendendo a vida pelos seus próprios actos, criando emoções, sensações, construindo a sua própria realidade e verdade, descobrindo outras cores, outras formas, cobrindo outros espaços, apontando outros caminhos, que os projecta para assim dar vida às suas obras.

O seu currículo é vasto no conjunto de exposições que tem realizado ao longo da sua carreira. A sua obra, através de inúmeras galerias, está representada em vários países.

Fraguial, nascido em 1945, no início do pós guerra, apresenta no seu vasto repertório de obras, na maioria de cariz cubista, a elegância, a alegria, a frescura e a simplicidade do quotidiano popular. É uma pintura sensorial, onde há cor, forma, luz e ritmo; nota-se na sua pintura o pulsar da vida, com os seus particulares e peculiares usos e costumes que compõem, de alguma forma, a cultura de um povo.

Fraguial, sensível e de grande lucidez, realiza uma obra que o transporta seguramente para o top dos criadores cubistas em Portugal.

O seu percurso artístico inclui obras como “ Num Bairro Moderno” inspirado na escrita desse grande vulto da literatura portuguesa – Cesário Verde. Esta obra é exemplo da forma como Fraguial respirava, ao tempo, o seu portuguesismo. Recorrendo à herança cultural deixada por portugueses como Cesário Verde, expressa na tela por meios plásticos, o que o poeta criou através da escrita. Fosse Cesário hoje vivo e experimentaria certamente uma perfeita simbiose com Fraguial ao contemplar este “ Num Bairro Moderno”.

No conjunto da obra deste artista, executada até meados desta década, a sua grande referência tem-se centrado na vivência popular, desde o seu puro e característico quotidiano até à visão poética que Cesário tanto insistia em cantar na sua escrita. Quando admiramos trabalhos como “Nazarena”, “Pássaros de Circo”, “Festa” e “Veleiros”, fica-se com a ideia da sua íntima ligação com o já referido quotidiano popular. Nesta primeira e longa fase de criação, Fraguial debruça-se de forma recorrente, sobre questões que sendo populares, se revelavam de grande interesse, consideração e de uma enorme riqueza.

Obras como “A Lenda do Castelode Bran”, “Viagens de Núpcias” e “A Noiva”, não podem passar despercebidas ao olhar do visitante.

A “ A Lenda do Castelo de Bran”, trás consigo uma carga bastante pesada, pela “estória” associada ao Castelo de Bran, localizado perto de Bran, lugar vizinho da cidade Romena de Brazov. Segundo se sabe, o Castelo de Bran, mais conhecido por “Castelo do Drácula”, deve muito da sua celebridade à lenda criada em torno de Lord Vlad Tepes, príncipe romeno conhecido pela sua crueldade com que matava os seus inimigos, utilizando uma técnica, sua predilecta, o “empalamento”, que provocava uma morte lenta e dolorida. O conde de Drácula do livro de Bram Stoker, teve como fonte de inspiração, esta mítica figura, conhecida em vida por Draculea por ser filho do rei Vlad II, chamado Dracul (Dragão) por fazer parte da Ordem do Dragão.

Assim, não é estranha a forma como Fraguial construiu esta obra, apresentando-a em tons bastante densos e fazendo transparecer uma atmosfera tenebrosa, de todo muito compatível com o espírito do conto à volta do conde de Drácula. Tudo é escuridão e sangue escorrendo pelo que resta de espaços de alguma claridade, como que numa compulsiva teimosia em terminar com a vida dos seus semelhantes, representada no conto e no filme pelas beldades femininas que, de uma ou de outra forma se deixavam envolver pela habilidade enganosa do conde Drácula.

Como já referido, esta pintura utiliza cores à base dos cinzas, a pronunciar um cenário de terror, mas ao mesmo tempo sem vigor ( talvez enganosamente) e alusivas a um tema em moda em determinada época, através do conto escrito e cinematográfico. É um cenário sem claridade alguma, parecendo antes o anúncio do fim de uma noite sem luar. Será que nesta altura, Fraguial já preparava uma mudança, procurando com esta e outras obras do género, terminar um ciclo e propor-se a um outro, com um cenário de maior claridade e leveza? Parece que sim, que se assiste de facto ao final de uma noite escura e, na verdade começam-se a vislumbrar os primeiros sinais de luz, como que a “informar” que um novo dia está para chegar. Um dia diferente, cheio de sol e de esperança num mundo que se anseia melhor em harmonia e amor, tão carente nos dias de hoje.

Este era o que parecia ser o pressentimento de Fraguial, com esta sua pintura. Apesar de já se encontrarem sinais desta mudança nos seus trabalhos, é nas obras mais recentes, as que foram criadas na segunda metade desta década de 2000, que se apercebe claramente que há uma viragem radical na sua obra.

Assiste-se assim, ao renascer de um Fraguial, trilhando outros espaços, na descoberta de novas sensações, de novos destinos. Há em Fraguial, a apologia da descoberta, não fosse nascido português, filho de um povo de descobridores de mundos incógnitos. Há um olhar novo, direccionado para o mundo interno do ser, um olhar que denota claramente uma ânsia enorme em desbravar caminho, que o levará a espaços outros, ainda para ele desconhecidos mas muito nitidamente pressentidos. Há um ir ao encontro da novidade, um ir ao encontro da alternativa à rotina, um ir à procura de uma saída para uma nova via.

Agora, mais do nunca, o artista tenta reconciliar-se com o seu estado de espírito, afectado por debilidades de saúde física encarando uma nova realidade de vida, marcada por alterações de consciência, que o aproximam vertiginosamente do seu próprio centro e lhe conferem uma visão da Vida mais altruísta e mais global, assente em pressupostos de pertença a um único Todo do qual todos os humanos fazem parte. Descobre que o objectivo da vida não é chegar a um lugar qualquer, mas a um lugar onde a sua verdade emerja e se dê a conhecer; descobre que o objectivo da vida é criar quem e aquilo que de facto é. Daí, o trajecto que inicia, com total liberdade e despojado de pré conceitos, numa busca vigorosa e objectiva do estado de “ser”; ser em primeira instância, é a sua grande busca processada no seu interior, firmemente, ao encontro do incognoscível.

A pintura de Fraguial é já outra. Nota-se uma rotura no estilo inicial. O cubismo é abandonado e em seu lugar, surge com total espontaneidade, uma expressão sem conotações de estilo.

De volta aos seus trabalhos mais recentes, vamos encontrar alguns casos que, ao observador mais distraído, fazem transparecer uma certa incoerência. São os casos de “Transition” vs Selling fruit “ ou “ Equilibrio Universo” vs “Casamento Hippy”.

Recentemente Fraguial expressava-se da seguinte forma:

“É o principio da "REVOLUÇÂO" da pintura de Fraguial.

Eu quero fugir do caminho da lógica, das regras, do raciocínio traumatizante.
Quero pintar com o coração, desligando-me totalmente da minha mente…
Uma mente racional torna-se fechada, dentro dos limites do raciocínio e a INTUIÇÃO, não conseguirá penetrar nela.
O intelecto tem a ver com o conhecido e com o desconhecido, mas não com o INCOGNOSCÍVEL, é a intuição que trabalha com ele, é precisamente isso que procuro, o interior de algo, sem ligar muito ao impacto visual, sem ligar muito ao vende não vende. Preocupo-me em deixar mensagens fortes. Será uma maneira de me sentir realizado!
Fraguial”

Há de facto, actualmente, uma mudança efectiva e auto afectiva na forma como Fraguial procura fazer pintura. “Transition”, aparece a Fraguial em forma de diálogo interior, aberto e assumido com determinação pelos dois eus - Fraguial maior (seu Eu) e Fraguial menor ( seu outro eu). Este diálogo estabelece-se numa procura decidida e definitiva de se entenderem sobre esse mistério que é a Vida. Há como que uma expansão na sua consciência, que o iça para patamares de uma nova realidade que pretende sem perda de tempo experienciá-la.

Este “Transition”, é perfeita e claramente o momento desta mudança. Todavia, aquando deste “Transition”, o artista estava a passar ainda por uma fase de transição em que era notório um cenário ainda bastante escuro, o que se compreende pela situação de confronto interior porque estava a passar. Daí que extravasasse para a tela aquelas cores, onde predominam os negros, os cinzas, alguns vermelhos e em oposição a estes uns brancos. Era uma fase transitória, à qual se seguiria uma outra que se apresentaria gradualmente de maior luminosidade. Em termos de forma, este “transition” não esconde nada do que já foi dito, pois nele se visualiza com facilidade duas figuras pouco “simpáticas”, uma maior e em primeiro plano, com ar de grande ingenuidade mas, simultaneamente de grande pavor e ao mesmo tempo de afirmação e outra, mais pequena, dentro do espaço mais claro da tela, em posição ainda invertida, pretendendo mostrar que queria surgir e assumir um maior protagonismo, nomeadamente, o grande plano da tela da Vida de Fraguial. Transparece nesta obra uma progressão, ou seja, como o continuar do quadro, em que a parte mais clara se torna cada vez mais clara, mais abrangente e mais luminosa, e a parte escura ocupando cada vez menos o espaço da tela até o cenário se transformar num de completa harmonia em que as cores nos induzem para espaços de luz e amor.

Em “Selling fruit” obra realizada em 2009, Fraguial volta à temática popular, que tanto caracterizou a sua pintura durante tantos anos. É uma fase em que o artista experimenta alguma desordem no seu imaginário e que o leva, ainda pontualmente, a encontros antigos com alguma contradição perante o novo que estava a viver de forma apaixonada.

Esta confusão no imaginário do artista, efectiva mas necessária, faz parte do processo de transição e assim, aparecem ainda outros casos semelhantes, como “ Equilíbrio Universo” vs “Casamento Hippy”.

O advento deste novo sentimento, levará certamente Fraguial à construção de outras ideias e de outras formas de expressão que o catapultarão para uma dimensão que o conduzirá aos quotidianos duma era que avança para padrões de vida de menor densidade material e de maior harmonia e amor.

Será, seguindo o pensamento de Fraguial, um caminho com direcção bem definida que o transportará ao Todo, que sendo Desconhecido, permanece incognoscível e, mesmo na hipótese de ser Conhecido, permaneceria igualmente incognoscível.



Ponta Delgada, 21 de Maio de 2009



António Ferreira Pinto/Artista Plástico/Crítico de Arte




commenti

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Ewa Aleksandrowicz - 01/07/2007 - 16:03:07
Grazie mille!!!
Utente disattivato - 18/06/2007 - 21:52:44
bel nome!
Utente disattivato - 17/05/2007 - 10:25:17
grazie e complimenti!
Cinzia Corvo (Nic) - 22/04/2007 - 16:53:47
welcome on equilibri! :-)
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